terça-feira, 14 de outubro de 2014

Terceira Noite - parte 2


O Simbiose Street Dance (Três Lagoas) foi quem abriu a última noite de Mostra Aberta, com a coreografia “Bantô”, criada por Márcio Bruno, dirigida por Marcos Mattos. Bantô usa elementos de danças rituais, com danças urbanas, música eletrônica e todo um repertório de corpos sensuais - bastante difundido em mídias e redes sociais e, talvez, por isso, desperte tanta identificação na plateia, que vibrou junto com os dançarinos.
Grupo Simbiose em "Bantô".
A noite contou com outras apresentações de danças urbanas como a criação coletiva “Protótipo”, do Grupo Conexão Urbana. Interessante a maneira como incorporou jogos teatrais à composição coreográfica, que simulavam o controle "remoto" de uns sobre o movimento dos outros.
Grupo Conexão Urbana em "Protótipo".
 
O Grupo Expressão de Rua apresentou "Soul train", criado por Zeka de Souza.
Grupo Expressão de Rua em "Soul Train".
O que essas coreografias me fazem pensar é em como alargar o entendimento do que é "urbano", quais temáticas para além das tecnologias - como em protótipo e na musicalidade eletrônica, com batida maquínica - poderiam servir de ignições para as criações desses estudantes? Quais tensões, opressões, impressões, ações e resistências são performadas nas cidades hoje, em Mato Grosso do Sul, e que podem servir de material de observação, pesquisa e criação para quem se interessa pelas chamadas danças urbanas?

A artista convidada Fabgirl, de Brasília, apresentou o solo “Pense coisas boas”, dirigido por Sandra Kelly Lim. Essa coreografia faz parte do espetáculo “Breaking the dance: quebrando tabus de gênero na dança breaking".  A temática do trabalho dá indícios da relação entre criação artística e ação social, vinculada ao terceiro setor, ou seja, a arte como campo para promover discussões de relevância social.

O chapéu é um objeto cênico bastante utilizado em coreografias de sapateado e foi também usado em "Keep time", coreografada por Gabriela Fioravante, do Studio de Dança Mayara Martins. Acredito que um dos objetivos do experimento cênico, encenado por estudantes de dança, seja o de incorporar repertórios já existentes, diferente dos artistas-criadores cujo processo criativo envolve superar o que já existe ou lidar de uma maneira singular com o senso comum ou estereótipos, para dar corpo às suas obras. 
“Serenidade”, do Grupo Imagens, de Campo Grande, trouxe para a noite o encontro entre o balé e uma concepção que pode ser chamada de moderna da dança, por dar destaque ao tratamento das emoções, a uma “expressão” de sentimentos. “Balé”, porque dá para ver, claramente, que o treinamento dos corpos que se apresentavam em cena, é o dessa técnica clássica. 
Grupo Imagens em "Serenidade".
 Sugiro ao grupo e à coreógrafa, Priscilla Bogamil Quirino, o estudo de vídeos de coreografias e espetáculos de Oscar Araiz (1940), coreógrafo argentino que fez parceria ao longo de muitos anos com o Ballet da Cidade de São Paulo e outras companhias oficiais no Brasil, América do Sul e Europa. Vejam, por exemplo, este vídeo, disponível no youtube, da coreografia “O mar” (El mar), encenada pelo grupo de dança da Universidade Nacional de San Martin (Argentina). Reparem no uso espacial dos dançarinos, na qualidade dos movimentos e na maneira como incorpora as qualidades de movimento das águas do mar. Fica visível que os corpos dos dançarinos têm treinamento de balé, mas a composição extrapola os cânones clássicos, por isso a denominação “balé moderno”.


Os balés de repertório “La Fille mal Gardeé” (1786), encenado por uma estudante do Ballet Isadora Duncan, e “Pizzicato”, trecho do espetáculo “Sylvia” (1876), encenado pelo Ateliê da Dança, despertam a reflexão sobre como “reencenar” um “repertório” criado em outro contexto (importado de outro contexto) que, definitivamente, difere do brasileiro. 
Ballet Isadora Duncan com "La fille mal gardeé".
Além da assimilação dos passos, sugiro estudo do contexto de criação, da dramaturgia, ou seja, do sentido atribuído a cada gesto e a cada movimento, em seu momento de origem para ter a liberdade de atribuir um novo sentido, se for o caso. É importante que cada um desses detalhes faça parte do ato criativo e compositivo das coreografias, para desautomatizar a reprodução e dar ênfase à apresentação enquanto ato comunicativo, que promove experiências para além de comentários como “que bonito”, “que virtuoso”. Que aliem narrativa, gesto, movimento e técnica.
Ateliê da dança em "Pizzicato".
Discutimos reencenações de balés de repertório na roda de conversa realizada no sábado (27 set.), pela manhã. Nesse dia, Beatriz de Almeida deu o exemplo de como foi criado o “fueté”. Para além do virtuosismo – porque, afinal, chama mesmo a atenção tantos giros no mesmo lugar – ele foi encenado, pela primeira vez, segundo a professora, no espetáculo O Lago dos Cisnes (1877), para expressar a agressividade e impetuosidade do Cisne Negro (Odile). Aliar os passos ao sentido atribuído a ele, isso é dramaturgia.
 
Além dessas apresentações citadas, o Grupo Seishun apresentou "Yusetsu", que significa derretimento da neve, em japonês.
Grupo Seishun em "Derretimento da neve".

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Terceira Noite – parte 1


Esse é o primeiro texto da última noite, queridos participantes da Mostra Aberta e Profissional do Festival Dança Três.
Peço desculpas pelo intervalo de tempo entre uma publicação e outra, mas é por um bom motivo. Eu realmente passo dias digerindo o que assisti, lendo livros, consultando pesquisadores e artistas, para conseguir fazer o que realmente acredito: uma escrita “para” e “com” a dança de vocês. Porque acho que meu papel é o de iluminar possibilidades e leituras, mais do que julgar qualquer escolha ou estágio de experimentação ou estudo.
Bora lá!



Uma-duas mulheres, uma terceira, quarta, os olhos fixos através do espelho. Em mim, em ti, ela ajeita o vestido de outra mulher, dela própria. Mim é ti, os pronomes se confundem. Falta contornos e tudo é penetrável. Mas há tensão e ela trafega entre os pólos da lascívia ao amor, do desejo à repressão. Medo, culpa, dor, prazer.
“Mudança”, o novo espetáculo da Cia. do Mato, dirigido por Chico Neller, abriu a última noite do Festival Dança Três e foi, segundo o diretor, inspirado no poema de mesmo nome, escrito por Clarice Lsipector. É a mais recente grande criação de Neller depois de “Amor líquido” (2008) e “Cultura bovina?” (2007). “Mudança” deixa claro os ritornelos do artista, entorno do feminino, da individuação, da identidade, do prazer. Reincidências atualizadas em um modo de encenar cuidadoso e não menos intenso, no que tange ao tratamento dos sentimentos e das emoções. 
Talvez, lamber e se lambuzar de manga só faça oposição ao semear pétalas de rosas no chão (a primeira ação está situada do lado esquerdo do palco e a outra do lado direito) porque o ambiente no qual elas acontecem está impregnado de uma moral religiosa que dicotomiza corpo e espírito, gozo e espiritualidade, algo opressor para aqueles corpos que pulsam entre o ser e a impossibilidade de sê-lo.  E aí se dá o conflito.













Um universo profundo esse que Neller e seus dançarinos exploram, cartografam em gestos e deslocamentos (um presente para aqueles que não têm estômago para adentrar, sozinhos, nesse território desconhecido, e para os que já o penetraram). Essas questões remetem às da dança expressionista alemã, que chegou ao Brasil depois da Segunda Guerra Mundial, quando seguidores de Mary Wigman (1886-1973) e Kurt Joss (1901-1979) - precursores dessa vertente da dança cênica, junto com Rudolf Laban – nomes que foram levantados ao longo das rodas de conversa - vieram fugidos para o país. Dentre eles, Rolf Gelewski (1930-1988), professor da Escola de Dança, da Universidade Federal da Bahia, na época de sua fundação (década de 1970).

É dessa escola que descende a companhia alemã Thanztheater Wuppertal, dirigida pela famosa Pina Bausch (1940-2009). 

Mas a ética e estética (escolhas que implicam em um jeito de dar a ver as coisas que se percebe) de Chico Neller, além de remeter a essa linhagem, está impregnada de questões do Brasil Central, da violência da opressão, da beleza que acompanha o grotesco, da luz que acompanha a escuridão.  

Artistas com quem acho que a Cia. do Mato pode dialogar, para ampliar repertório de encenação e trocar questões em comum, é a paulistana Eliana de Santana que, em 2013, criou “Das faces do corpo”, a partir do ensaio fotográfico “Antropologia da face gloriosa”, de Arthur Omar; Sandro Borelli que dirige a Cia. Carne Agonizante com quem criou, dentre outros espetáculos, “Metamorfose” (2002), baseado em conto de Kafka, e “Produto perecível laico” (2011), inspirado no poema “A morte”, de Cruz e Souza; e Vanessa Macedo, que dirige a Cia. Fragmento, com quem criou, “Nuvens insetos” (2012) e “Versos da última estação” (2007).

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Segunda Noite

A noite de sábado começou com a aula-espetáculo “Gingado: frevo e improviso”, encenada por Antonio Meira e dirigida por Marina Abib, ambos integrantes do elenco da Antonio Nóbrega Companhia de Dança (SP).


Nóbrega estuda e mapeia há mais de 40 anos, músicas e danças festivas do nordeste, principalmente, Pernambuco, e as incorpora para a cena. Tais estudos foram pano pra manga para a aula-espetáculo “Naturalmente: teoria e jogo de uma dançabrasileira” (2009, disponível em DVD), que parece ter sido referência para a criação de Antonio Meira e Marina Abib, e que decorre de tradição de aulas-espetáculos criada por Ariano Suassuna, líder do Movimento Armorial (1970), do qual Nóbrega e muitos outros artistas como André Luiz Madureira, diretor do Balé Popular do Recife, fizeram parte. 

“Gingado: frevo e improviso” convidou dez pessoas da plateia para participar de um aquecimento brincante, para aprender passos de frevo e, depois, improvisar.


Logo em seguida o grupo convidado de dança do ventre de Três Lagoas, Expressão, apresentou “Shik Shak Shok”. A primeira coreografia da Mostra Aberta foi “Opostos”, do Ballet Isadora Duncan, que além de opor branco e preto, no figurino – uma cor na frente e outra atrás – criou oposições por meio de aproximações e afastamentos, níveis alto e nível baixo, frente e trás.


A oposição está em muitos movimentos na natureza, como os de sístole e diástole, do coração, e na própria respiração, em que a caixa torácica abre e fecha, e é um parâmetro por meio do qual a técnica de Martha Graham e Lester Horton, por exemplo, se sistematizaram. Tomar essas oposições do ambiente como ativadores de criação pode enriquecer as possibilidades de movimento para além da técnica e dos passos. O que ficou em destaque, também, foi a projeção dos movimentos no espaço, a presença cênica dos dançarinos. 

“Contos do Encantamento”, do Ballet Só Dança Auxiliadora, coreografado por Gláucia da Silva, apresentou uma composição cuja questão foram desenhos no espaço e a alternância entre conjuntos, trios, movimentos corais e canons, com a técnica do balé e estética de balés de repertório como "A Bela Adormecida" (Marius Petipá, 1890). 

 O grupo Armazém 67, de Campo Grande, apresentou “Resident Evil”, mesmo nome do filme (traduzido para o português como "Hóspede maldito"), lançado em 2004, baseado em um game homônimo. Interessante observar que o caráter maquínico das batidas da música está presente na movimentação dos dançarinos. Houve oposição entre frente e trás no posicionamento dos grupos e trios.

A Isa Yasmin Cia. de Dança apresentou “Clássicos & Véus”. A variação no uso do espaço estava em consonância com a mudança no pulso da música. O que singulariza a companhia, são os corpos singulares que a compõe. São mulheres dançando essa maneira de se mover e de pensar tão feminina. A composição desenhava linhas retas, círculos e diagonais pelo espaço.


O Grupo Seishun, da Associação Okinawa de Campo Grande, levou para a segunda noite do Festival “Gambare”, que significa “força” e “incentivo”, em japonês. A dança do Seishun combina artes marciais milenares com cultura pop japonesa, como animes. É, geralmente, apresentada nos festivais Yosaikoi Soran, uma adaptação brasileira ao “carnaval” japonês, que tem o objetivo de homenagear e divulgar a tradição japonesa no Brasil – idealizado pelo empresário Hideaki Ijima. Com gritos que acompanham movimentos expansivos, fortes e rápidos executados, simultaneamente, pelos 13 dançarinos, Seishun mostra sua força e alegria em grupo. Para saber um pouco mais sobre essa dança e o contexto em que foi criada, leia essa matéria escrita por Cristiane A. Sato.

Os bailarinos convidados Denise Rosa e Caio Baratelli, apresentaram os solos “Alegria” e “Estudos”, coreografados por Beatriz de Almeida. Ana Lucia El Daher, trouxe o solo “A espera”, criado por Neide Garrido. Os primeiros, neoclássicos – estética bastante presente no Ballet de Stuttgart, onde Beatriz trabalhou por 20 anos –, o último, dança moderna.


 O último solo, por apresentar uma narrativa e e pela maturidade cênica da dançarina que transbordou emoção, para além de passos e técnica bem executadas, serve de referência para perceber e refletir sobre o que conversamos em roda, pelas manhãs, sobre a relação entre técnica e dramaturgia. 


Tomei como exemplo um dos argumentos de Jean Georges Noverre, criador dos Balés de Ação – que decorrem dos balés de corte e se singularizam por se constituírem de narrativas e personagens – divulgada pela dramaturgista e pesquisadora Rosa Hercoles, no artigo “Epistemologias em movimento”, publicado na revista Sala Preta, em 2010: 
"Em suas Cartas sobre a dança, publicadas em 1759, [Jean Georges Noverre] argumentava enfaticamente que a dança não deveria se restringir à mera execução mecânica de passos, mas sim, tornar-se capaz de transmitir significados; para tanto, seria necessário negar sua função decorativa."

Para ampliar a percepção sobre as chamadas danças "modernas" (tanto para quem cria, encena, como para quem observa), sugiro a leitura de biografias, como a de Isadora Duncan, ou de livros de história da dança que divulguem motivações das criadoras, como é o caso do seguinte trecho do capítulo "O corpo dançante: um laboratório da percepção", escrito pela historiadora de dança Annie Suquet:

"Em 1918, Helen Moller, uma das primeiras professoras que ensinou a dança moderna, afirma categoricamente: 'O centro gerador de toda expressão física autêntica se situa na região do coração […]. Todos os movimentos que emanam de uma outra fonte são esteticamente fúteis'. A professora americana visa aqui, de modo muito explícito, a dança clássica e sua predileção pelos movimentos periféricos, com os membros desenhando de certa maneira figuras no espaço. (…) Para Martha Graham, a partir da década de 1930, a bacia se tornou o reservatório das forças motoras. Ela é, com efeito, o 'centro de gravidade', isto é, o ponto de mobilização de toda a massa corporal e de seu transporte pelo movimento. O torso é sempre, com certeza, aos olhos da coreógrafa, aquela parte do corpo 'onde a emoção se torna visível pela ação conjugada da mecânica e da química corporais - coração, pulmões, estômago, vísceras, coluna vertebral'. O movimento propriamente dito é apenas a extrapolação dessa motilidade interna (em parte reflexa) a cuja percepção se trata de conectar." (p. 518-519, disponível em: <http://www.helenakatz.pro.br/midia/helenakatz21208964713.pdf>)

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Primeira Noite


A primeira noite do Festival Dança Três iniciou com o espetáculo "Soma 11", da Cia. Dançurbana. Composto por trechos de espetáculos apresentados ao longo de seus onze anos de trajetória, deu a ver como a maneira de compor da Cia. evoluiu e como apresenta algumas recorrências, como o recurso expressivo das pausas. 



Por vezes, as pausas aconteciam simultaneamente à interrupção da música, por vezes promovia uma contraposição: pausava enquanto a música continuava a pulsar. De maneira geral, a ambientação do espetáculo provoca entusiasmo, vigor, tanto nos gestos como nos deslocamentos pelo espaço, que são afirmativos: muitas caminhadas em linha reta, de um lado ao outro do palco, que remetiam a ruas cheias de gente, devido ao grande número de dançarinos em cena. A comunicação se deu diretamente com a plateia, os movimentos quase não eram gerados nas relações entre os dançarinos. 



Ao longo da Mostra Aberta, a Escola Jimmy Eliot, de Três Lagoas, apresentou a coreografia "Chaga", acompanhada da música "Você não me ensinou a te esquecer", interpretada por Caetano Veloso. O Ballet Nova Geração apresentou "Sinestesia", cuja trilha sonora foi a música "Elephant gun", da banda mexicano-estadunidense Beirut. 



Nessas duas coreografias, os passos, os figurinos, o uso do espaço acompanhavam a música no que tange aos pulsos e melodia. No entanto, elas não dialogavam com o imaginário que tais melodias evocam. No caso de “Elephant Gun”, essa música já está acompanhada pelas imagens emocionantes da microssérie Capitu (dirigida por Luiz Fernando Carvalho, exibida na rede Globo, em 2008) e pelas imagens do videoclipe. 


“Você não me ensinou a te esquecer”, evoca imagens do filme "Lisbela e o prisioneiro" (dirigido por Guel Arraes, lançado em 2003). 

 

Tais experimentos cênicos me levaram aos seguintes questionamentos: como "encostar" em uma música, para desse contato nascerem os movimentos e a coreografia? Que sentidos ela provoca (cheiros, cores, texturas)? 

Sugiro que, ao utilizar músicas que acompanham imagens reproduzidas em grande escala, como filmes, minisséries e videoclipes, que  levem em consideração todo esse imaginário, que dialoguem com essas imagens considerando-as como "amigas" para ampliar as possibilidades de criar e de comunicar, já que se trata de um repertório que muita gente compartilha. Não quero incitar a desestabilização da técnica do balé quando proponho um diálogo com o contexto das músicas. A sugestão é a de ir a favor delas: da técnica e das músicas e de brincar com tudo isso. Divirtam-se!

Essas coreografias me fizeram refletir também sobre uma cisão recorrente entre técnica e dramaturgia, entre treinamento técnico e criação, assunto que foi discutido ao longo das rodas de conversa, durante o Festival (essa discussão será abordada com mais profundidade em outro post).



Outra coreografia da Mostra Aberta que baseou a criação de movimentos em música cantada foi "La freguesia", do Conexão Urbana, que baseou a dramaturgia na letra da música "Freguês da meia-noite", do Criolo. Foi o único experimento cênico da noite que apresentou uma narrativa, com personagens, que agiam de acordo com a letra da música, que funcionava como roteiro. Interessante a ousadia. Sugiro estudar maneiras da encenação dos personagens estarem sempre à favor das técnicas de danças urbanas.



O Studio Mayara Martins apresentou "Polaridades", que desde o título, a criação como um todo foi coerente e se trata, de fato, de um “experimento” cênico, devido ao estudo de possibilidades de criação por meio da percepção da música. A principal questão desenvolvida na coreografia foram desenhos no espaço. As estudantes se dividiam em duplas, trios, conjuntos que se contrapunham com duplas, entre um extremo e outro do palco: criaram polaridades. Outra ação desenvolvida pelas estudantes foi a alternância de níveis: baixo, médio e alto. A coerência de composição pôde ser percebida, também, na cor dos figurinos, que dialogou com a melodia da música. Sugiro que o Studio fique atento a mostras, para estudantes - não recomendo as mostras competitivas, porque a competição reforça o entendimento de apenas um "padrão de qualidade", que despotencializa o voltar a atenção ao ato comunicativo da dança, porque dá ênfase para o caráter esportivo e virtuoso. 



O Ateliê da Dança se singularizou pelo uso de gradações diferentes da música. Enquanto um grupo se movia de acordo com um compasso, o outro grupo se movia de acordo com outra instância do compasso. O desempenho técnico dos dançarinos e a capacidade de projetar os corpos no espaço foi outro ponto que se destacou.



Os bailarinos convidados Denise Rosa, Caio Baratelli e Daniel Amaral apresentaram trechos dos balés de repertório “O Corsário” e “Dom Quixote”, ambos criados no século XIX, por Marius Petipá. 


O Grupo Corphomen, apresentou “Chamas de Paris”, coreografado pelo russo Vasili Vainonen (1901-1964), e adaptado por Margareth Viduani. 



A conversa que tivemos em roda, na manhã do primeiro dia de Festival, contribui para acurar o olhar sobre essas coreografias e, também, sobre suas adaptações. Percebemos que conhecer a história, o contexto onde foi criado, favorece o diálogo com a tradição que dá sentido a cada gesto e a cada ação para além de apenas um divertimento ou um exercício técnico (uma aplicação do que é treinado em sala de aula). É essa minha sugestão aos que realizam adaptações, de se atentarem à história, aos sentidos desses movimentos, e quais sentidos dar a eles nesse novo contexto.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

#FICADICA

É amanhã!!!
A segunda edição do Festival Dança Três começa amanhã (26) e já estamos ansiosos para encontrar vocês. Pra aquecer, pensamos em algumas dicas pro nosso encontro ser o máximo de proveitoso e delicioso:

É permitido fazer Novas Amizades;
Os nomes dos quartos tem motivo. Que tal descobrir?
Cuide do seu espaço;
Lembre-se: possivelmente você não está no quarto sozinho;
Ficar em um quarto limpo, saudável e agradável durante três dias depende exclusivamente de você;
Lembre-se também: seu quarto não é o único;
Respeito é bom e todo mundo gosta;
Cuide dos seus horários, pois é essencial que eles sejam cumpridos:
o Alimentação: 
Café da Manhã – 7h às 8h
Almoço – 12h às 13h15
Jantar – 18h às 19h (sexta e sábado), 22h30 (quinta e domingo)
o Saídas:
Para o ensaio de palco – 7h30
Para as oficinas – 13h15 e 15h20
Para a mostra – 19h10 e 19h30
Para o Dança na Lagoa: 14h20 e 14h40
Já sabe onde é o lugar do lixo;
Beba bastante água;
Aproveite, divirta-se;
23 horas já é hora de reduzir o barulho;
Esqueça um pouco o celular, converse ao vivo com as pessoas;
Coloque o celular no silencioso quando for participar de alguma atividade;

Gentileza gera Gentileza.

Foto: Reginaldo Borges




quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Já estamos em Três Lagoas!

Parte da equipe de produção do Festival Dança Três já está em Três Lagoas. Estamos fazendo os últimos ajustes de organização e aproveitamos também para dar uma força na divulgação. No começo da tarde o calor era enorme, a chuva e o vento chegaram sem cerimônia logo em seguida. Agora o termômetro corporal informal marca: friozinho. 

Esperamos que até sexta a chuva pare de cair. (Mas se não parar, sempre podemos dançar na chuva quando a chuva vem...)

Estamos esperando vocês!!!





                                     

As luzes do Festival

A iluminação é uma parte muito importante da dança que é feita no palco. Os movimentos, corpos e intenções dos intérpretes são potencializados pelas atmosferas criadas pelos iluminadores. 

Na segunda edição do Festival Dança Três, uma artista especial vai iluminar as danças da Mostra Aberta. A artista Camila Jordão estará presente nos ensaios de palco para conhecer as propostas dos grupos e enriquecer as apresentações. Ela também será a operadora de luz da apresentação da Cia. Dançurbana.

A iluminadora Camila Jordão é de Salvador, na Bahia, mas vive em Campo Grande há mais de vinte anos. Iniciou sua carreira artística em 2000 na Ong ‘Casa de Ensaio’ (Campo Grande/MS) de onde faz parte até hoje. Em 2007 fez seu primeiro trabalho como assistente de iluminação e produção na peça “Amores de Lisbela”. Desde então, vem exercendo a função de iluminação e produção de festivais. 

Em 2012, participou do projeto ‘Memórias do Futuro’ – Caravana Tecnobrincante – criando, confecção e montado o cenário. Foi reconhecida como artista no ano de 2010 com a seleção e premiação da sua obra instalação “Cuidado com os animais”, Salão Horizonte da Arte Morena. Foi selecionada e premiada com a obra instalação “In-Cardume” para o Salão de Artes do Mato Grosso do Sul em 2012. Suas obras têm caráter consciente, sempre voltado para as questões de preservação da Natureza em sua mais infinita definição. Suas criações são influenciadas por Picasso, Vik Muniz, Thukral & Tagra, Luzinterruptus e Geancarlo Neri. Atualmente trabalha na empresa Ana Jordão, é voluntária na ONG Casa de Ensaio e AACC (Associação dos Amigos das Crianças com Câncer) e faz a iluminação do projeto Crianceiras (poesias cantadas de Manoel de Barros, por Marcio de Camillo).